
A casa não é o espaço físico.
A casa não é o espaço físico, nossos cômodos, portas e janelas, camas e panelas. E sair de casa, não requer a morte ou a perda de tudo que construímos, mas é carregar para outros horizontes, o que foi erguido com bases resistentes e que é sustentado com valores únicos, dentro de cada um.
Ninguém abandona o lar que está firme do lado de dentro, não há espaço luxuoso que substitua o conforto da própria morada e não há ambiente sofisticado que valha mais que a simplicidade enraizada por longos anos na casa que carregamos. Tudo passa, concretos e tijolos, cidades e estradas, etapas e momentos. Fica, apenas, o que não se desfaz independente do tamanho, da viagem, e tampouco da fachada.
Nossa casa é quem nela vive, quem acorda em nossos pensamentos, quem não sai de nossas orações, quem continua, sem esforço e por vontade, apesar da distância e do tempo. Nossa casa são as pessoas que amamos, as histórias que somamos, a vida que juntos criamos. Casa é memória de cheiros, é repouso e calmaria. É colo e cafuné, é aquele convicto “venha o que vier” que resgata o que de mais concreto possuímos, que sobrevive a tudo – pois será sempre abrigo, amor e fé.
Fonte: Revista Vida Simples - Por Flavia Bataglia
